sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

erruman

o mais cômico do ser inconstante é que a
 inconstância é tão vasta que o próprio ser.
Isso o incapacita de perceber as injustiças 
que comete, costura um erro 
rasga outro pensando que acerta,
vive certo de que está inclinado a errar,
apagando ou tapando os
olhos a ver a realidade, quem vê
 por fora enxerga. 
Sabe se lá o ser que está com a razão é o 
errado, e o ser que pensa estar certo só está sem
a razão. Vai ver tudo é errado, os começos
 levam a fins incertos.
Vai ver é toda uma interpretação 
errônea levada a
sério como se fosse o sério o certo, não.
Se fosse, seria toda uma peça de comédia
 inédita com um trágico fim. 
Sim, sim.
As setas apontam pro lado certo mas pode ser o errado,
o ponteiro pode causar alarme na hora certa que
também hora errada. Os erros, em si, involuntários
ou não, se alimentam do ser.
O erro come o ser, o faz tornar inferior, menos, o que
é, o real, porque é tudo cheio de erro.
Todos deviam enxergar o próprio.
Cada um tem o erro que merece, e
nenhum o deixa só. 
-ser humano.
-Erro humano.
-erro.
-Humano.
-errumano.

sem-tido

por
quê
dar
sentido
 ao
 chão,
 se
 o
 topo
 não
é
 sentido?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

fuga, se

Imagine, se o mundo vazio,
tolerável.
Imagine-se incrivelmente contemplado por nada.
O ódio causa o mundo.
Vidas causam o ódio.
Não resolve fugir, por onde há
audição, olfato, visão..
Fugindo encontra-se
do que escapas sem procurar.
Ausentar-se não significa anular-se.
Fugir é encontrar.
O berço dos mal achados, o leito dos
descontentes, recanto de
longas vidas,
não lhe torna ausente.
Amantes do protesto silencioso, a
procura do óbvio aroma plantio a
céu aberto, correm do mau-cheiro,
debatem com o odor.
Acham cheiros agradáveis, veem ventos
perfumados, toleram-se do próprio
cheiro, sem forma, sem cor, com
rancor e findável.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

zero

somos zero,

valemos o preço se acrescentados somos outros números,

de nada valemos, somos vazios 

e formamos uma volta tão completa que se encontra,

o tamanho de nada vale, nem a forma

ninguém sabe, de tão vazio se torna cheio 

de tantos números,

 somos zero.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

outro chão

o problema é mudar-se de calçada
se mudasse não substituiria,
deslocar para outros quarteirões
se ajuda a apagar lembranças não
tão vividas ou atrapalhar as não passadas?
outras quadras,
onde o chão não é tão áspero
mas a rua é tão oblíqua que as levam
ao mesmo ponto de encontro.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

fumaçinha

Até a nuvem vira avião quando paira no céu, 
a nuvem é sortuda,
até cão vira nuvem e aprende a levitar, 
quando o pássaro vira nuvem
não voa, mas quando nuvem vira pássaro começa a caminhar.
A nuvem vira tudo, só não sabe se virar. 
Tá toda hora em todo lugar,
sem saber onde permanecer, respira sua própria fumaça ora 
branca ora preta e volta a passear. 
Mas tadinha da nuvenzinha, que vem de tanto lugar,
 que se torna poluição ao oxigênio sem pensar.

pertubação

As pessoas silenciosas, trazem o barulho dentro de si. Mas não o barulho desagradável, um barulho de melodia nova, som da chuva, que ora é fraca ora tempestade.
Pessoas que preferem  não dizer, traduz olhares, orienta o próprio tom de expressão, caminha por dentro.
Não se vê dificuldades, os olhares alheios que os alimentam ocupando os julgamentos altos e baixos, detalhes sempre significam dificuldades. E as dificuldades, todos sabem..